Poetisa Leidiana S. Silva

Poetisa Leidiana S. Silva
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domingo, 13 de setembro de 2015

MINHA INFÂNCIA - A FALTA D'ÁGUA

Lata d'água na cabeça
Aff, eu me lembro bem!
Era uma humilhação
Não desejo pra ninguém


No sertão da Bahia
Água só quando chovia
Que caía da bica, dentro na cisterna
Ou aparando em bacias


Em tempo de estiagem
Nós buscava água no poço
E no açude, com pipa ou casuar
Se tivesse um carrinho, ou animal para puxar


Também buscava água na fonte
De balde ou latão
Com uma rodia, na cabeça
E se aguentasse era na mão


Era léguas de caminhada
Para água encontrar
E voltar com a lata cheia
Atenta, pra não derramar


Também tinha o carro-pipa
Que água vinha nos trazer
Umas duas vezes por semana
Para cozinhar e para beber!


Isso quando a prefeitura
Resolvia, de nós lembrar!
Povo humilde e sofrido
Que vivia à lamentar!


Me mudei do sertão
Para a Chapada Diamantina
Pensei que ia melhorar
Mas continuou a minha sina


Eu tinha que buscar água
Bem no meio de um grotão
Numa nascente que ali brotava
No fundo vale com um latão


E tinha que subir a ladeira
Com a lata d'água, sem cair
Ladeira horrível para descer
Imagina pra subir


A vegetação era linda
Mas não dava para curtir
Consumida de tristeza
Não conseguia nem sorrir


Mais ficava admirando
Tamanha profundidade
As alturas das montanhas
E as suas diversidades


A lata cheia era pesada
A ladeira alta de mais
E aquele tipo de trabalho
Sendo criança não se faz


Em 1995 é que, á vida melhorou
Veio o saneamento, bem básico..!
E água nas ruas canalizou
Enfim, em casa água chegou...


Acabou meu sofrimento
Para a minha exaltação
Mas é uma pena que até hoje
Ainda há seca no sertão.

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