Poetisa Leidiana S. Silva

Poetisa Leidiana S. Silva
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domingo, 25 de outubro de 2015

MINHA INFÂNCIA - A REVIRAVOLTA

Como eu já tinha dito
Muito nova trabalhei
E os meus estudos
Eu também não completei

Aos meus doze anos
Eu já não estudava
E bem antes disso
Eu já trabalhava

Meu pai sempre bebeu
Mas nunca me maltratou
Bastou da minha mãe se separar
Para alcoolizado começar me espancar

Não vou citar o nome
Ele arrumou uma mulher
Que não mim suportava
E mal de mim pra ele falava

Ele só andava bêbado
E em tudo acreditava
Sem nem averiguar
Ele já me espancava

Um péssimo dia
Ele tentou me matar
Me espancou bastante
E começou me enforcar

Um dia me defendi
Para não morrer
E ele abriu um BO
Acho que para me prender

Tentou me entregar
Para o conselho tutelar
Só que precisava
Pai e mãe ir assinar

Minha mãe se recusou
Ele ficou revoltado
E maquinou o plano
Do menino abandonado

Eu não tinha nem treze anos
Quando saí cedo para trabalhar
E ao chegar a noite
Ele já não morava lá

Ele mudou de casa
E me abandonou
Para um bairro bem distante
E sozinha me deixou

Com uma sacola de roupa
Dormindo em um papelão
Me embrulhando com um lençol
Deitada naquele chão

Após dezoito dias
Dormindo naquele chão
Peguei pneomonia
E perdi a minha razão

Ficando por três
Sem de casa sair
Para ir trabalhar
Para comer ou divertir

Os vizinhos desconfiaram
Que algo estava errado
Daí minha porta foi arrombada
E eu encontrada desmaiada

Fui internada as pressas
E fiquei por uma semana
Com febre de quarenta
Ajogada alí na cama

Depois de uns dez dias
Tive alta do hospital
E fui levada para a casa
De uma amiga bem legal

Depois de duas semana
Seu marido me assediou
E tive de sair de lá
Para o meu pai ela me entregou

Saiu a procura
Dele por toda a Cidade
Até encontrá-lo
E dize-lo umas verdades

Eu tinha acabado de receber
O meu salário atrasado
E entreguei todo para ele
Que estava desempregado

Enquando tinha dinheiro
Fui mais ou menos bem tratada
Por uma ou duas semanas
E depois fui desprezada

Acordava não tinha café
Meio dia não almoçava
A noite não tinha janta
Pois para mim não sobrava

A madrasta falou pra ele
Você escolhe, ela ou eu
Ele falou pra mim ir embora
Que não queria criar eu

Procurei uma tia avó
Que morava naquela Cidade
E fui morar com ela
Uma senhora de idade

Eu era bem tratada
Com carinho e com amor
Mais faltava alguma coisa
Um vazio em mim ficou

Por isso me casei
Com apenas quatorze anos
Para ter uma família
Uma casa, eram meus planos

Pois eu me sentia mal
Por minhas primas incomodar
Pois a minha querida tia
Era velhinha pra mim criar

Eu aprendi viver
Com o meu sofrimento
Não desejo pra ninguém
Aquela vida de tormento

Não estou reclamando
Nunca fui de reclamar
Pois tudo isso me serviu
Pro meu caráter se formar

E o resto da história
É uma continuação
Da minha infância complicada
Minha recordação.

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