Poetisa Leidiana S. Silva

Poetisa Leidiana S. Silva
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

AQUILES ARISTEU ( O BARÃO TIRANO )


Há muitos anos atrás
Tinha um grande fazendeiro
O mais rico de uma região
Que só pensava em dinheiro

Aquiles era o seu nome
E Aquilina, sua mulher
Da Fazenda Aquinea
Cultivadora de café

No século XVI
Gente rica era rei
Aquiles trabalhou
E seu patrimônio fez

Mas foi tanta a vaidade
Que Ele até mandou fazer
Um busto seu, de ouro
Para ainda mais aparecer

Aquiles Aristeu
Tinha título de Barão
Só que não valia nada
Pois era ruim que nem o cão

A Baronesa Aquilina
De tamanha formosura
Tinha a sua beleza
Registrada em pintura
Mas dava para perceber
Que vivia oprimida
Pois viver com aquele homem
Fala sério! Não era vida

Dono de uma grande fazenda
Com um lindo casarão
De mais de cem famílias
Barão Aquiles era patrão
Na verdade o Senhor Aquiles
Tinha súdito, não empregado
Que pra ele trabalhava
E não juntava um dobrado

Isso é uma expressão
Mas não fique animado
Pois o povo da fazenda
Mais vivia escravizado
Trabalhava... Trabalhava...
Pra ganhar alguns dobrados
E ainda tinha que pagar
Impostos de agregados

A ruindade do Barão
Era algo assustador
Por ter um coração tão duro
Desumano e sem amor

Empregados do casarão
Também passava humilhação
Porque Barão Aquiles
Era um homem sem noção
E nada para ele
Nunca estava bom
"A pura ruindade"
Esse era o seu dom

A fazenda Aquinea
Era aterrorizante
Além disso a Cidade
Mais próxima ser distante

E ainda sem falar
Não se tinha opção
Outro lugar para viver
E trabalhar não tinha não

A vida era muito dura
Fácil!? Era não!!!
Era difícil de arrumar
Naquela época um bom patrão
Pois mão de obra naquele tempo
Era à base da escravidão

Não precisa nem falar
Que não dava nem para escolher
O trabalho que pintasse
Se fazia com prazer
Para pagar as contas em dias
E ter algo pra comer

A lavoura da fazenda
Era a base de irrigação
Já para os pobres empregados
Faltava água, leite e pão

O imposto ali cobrado
Era de preço elevado
Depois de pagar tudo
Só sobrava uns dobrados
Então a comida deles
Isso sim era regado
Pois passavam até fome
Se comesse exagerado

Para quem ali vivia
Água só quando chovia
Pois Aquiles não deixava
Pegar água todo dia

No poço da fazenda
Tinha água de montão
Mas pros morador de lá
Barão Aquiles, dava não!
Ele cobrava uma quantia
Para quem água ia pegar
E ainda ameaçava
Quem se atrevesse a reclamar

A ruindade do Barão
Com os dias só aumentou
E o preço que cobrava
Pela água ele dobrou
"Aristeu o trambiquero,
Água pra ele, era dinheiro"
O povo de Aquinea
Logo entrou em desespero!!!

O medo de seus agregados
Eram ser expulsos de lá
Pois se de lá eles saíssem
Não iam ter onde morar
Por isso todos eles
Tinham que as ordens acatar

O povo cansado daquilo
Um dia se rebelou
Resolveu tirar a lindo
E enfim dele reclamou
Bravo Aquiles Aristeu
Aquele povo castigou
Rasionando água e pão
Fez aquela confusão
Espalhou calamidade
Deixando o povo sem ação

Ele fechou o poço
E mandou a todos falar
Que quem quisesse beber água
Muito caro ia pegar

Uma viúva da fazenda
Pelo nome de Inocência
Que até passava fome
Não tinha como lhe pagar
Por seus filhos ser pequenos
Não podia trabalhar
Porque as suas crianças
Não tinha ninguém para olhar
Sendo viúva e sozinha
Ninguém tinha pra lhe ajudar

Um dia Inocência
Foi ao poço água buscar
Para fazer a comida
E sua família alimentar

Mas quando no poço chegou
Inocência se assustou
Pois na beira daquele poço
Tinha até um cobrador
Junto de três seguranças
Que a água lhe cobrou

Já tinha perdido o marido
Sem saber o que fazer
Olhou para os quatro cantos
Sem ninguém pra lhe valer
Inocência? Ela chorou...
A viúva quis morrer!

Inocência indignada
O Barão foi procurar
E perguntou porque a água
Ele estava a cobrar
E se quando ele morresse
No caixão a ia levar?

E ele lhe disse que sim:
"Levaria sua água no caixão"

Disse que o poço era dele
E não tinha obrigação
De dá água pra ninguém
Nem um copo! Dava não!
Água dele só pagando
"Sem pagar não tinha mais não!"

Disse que de graça ele não tinha
Água para dar a ninguém
"Que nada ele podia fazer"
Para quem dinheiro não tem!

E Aquiles muito valente
Anunciou pra toda gente
Que quem achasse ruim
Da sua fazenda podia sair
Mas quem ficasse por ali
A boca teria que fechar
Porque o próximo a reclamar
Muito caro ia pagar
Pois ele além de dá um corsa
Também a língua ia cortar

A viúva Inocência
O Barão amaldiçoou
E ele muito arrogante
Se quer se importou!!!

O Barão Aquiles
Sem pensar na consequência
Abriu a sua boca
Para ainda mais afrontar Inocência

E assim exclamou:
Fazenda Aquinea...
Quando eu morre
Prestem bem atenção!

De água até a tampa
É para encher o meu caixão
Já que a água é minha
Eu a levo pra baixo do chão

E ainda acrescentou:
Quando eu morre
Só vou ser enterrado
Quando o meu caixão encher
E até ter derramado
É pra deixar água escorrer!!!

Então de água até a tampa
Tratem de encher
Quero o túmulo bem encharcado
E ah de quem não obedecer
Aqui quem manda sou eu
É assim que tem que ser

Inocência chateada
Não lhe disse foi mais nada
Foi embora pra sua casa
Se sentindo humilhada

E rogando por justiça
Pelo fim da ditadura
Desejou que o castigo
Caísse sobre o casarão
"Que morresse entalado"
Foi a sua maldição
Desejou com toda força
Ver a queda do Barão

Então um dia insolarado
O Aquiles azarrado
Engasgou enquanto comia
E por mais que água bebia
A comida não descia

E quando ele desengasgou
Com um copo de água se afogou
E com um entalo atrás do outro
O Barão não aguentou
E morreu bebendo água
"Justo o que tanto negou"

E não acabou por aí
O pior está a vim
Como ele ordenou
O povo na hora já lembrou
E como os tinha ordenado
Seu enterro programou
Mas foi uma confusão
Para poder encher o caixão
De água até a tampa
Para enfim descer ao chão

A Baronesa coitadinha
Uma mulher até boazinha
Ficou muito entristecida
Pois em toda sua vida
O Barão obedeceu
E naquela situação
Ela sem o seu Barão
Se sentindo acuada
Em meio aquela confusão

Os empregados da fazenda
Começaram a tremer
Com aquela situação
Não sabiam o que fazer
A única certeza que tinham
É que tinham que obedecer
Pois Aquiles era tão ruim
Que prometeu à todos assombrar
Se ele descesse ao chão
Sem tá cheio de água o seu caixão

Então os empregados
Começou a preparação
Para logo mais velar
O corpo do Senhor Barão

Mas como o desejo do homem
Era de encher o caixão
Com água até a boca
Isso deu um trabalhão
Pois eles até tentavam
Mas caia tudo no chão

Foi aquele reboliço
Chamaram eles sem juízo
Mas o que podiam fazer!
Era só obedecer
Depois de três dias
Tentando o caixão encher
Um dos empregados
Uma ideia veio a ter
Um caixão de metal
Pro Barão ia fazer
Pois só um caixão de metal
Água dentro ia manter

Então saiu a procura
Do ferreiro de plantão
Que morava numa instância
Há um dia de distância
Para lhe fazer urgente
Um caixão todo de metal
Coisa que naquela época
Era algo anormal

O ferreiro organizado
Começou o caixão fazer
E naquele mesmo dia
Só que demorou dois dias
Então por fim terminou...
Aquela estranha mercadoria
E seu retorno a Aquinea
Demorou mais um dia

Ao chegar na fazenda o caixão
Um empregado exclamou
O Barão só quer água
Ele não nos pediu flor
Então vamos respeitar
E encher o seu caixão
Até a boca de água
Flores não vamos pô não

A Senhora Baronesa
Juntamente concordou
Pois também queria cumprir
O desejo do seu amor
E ajudou encher o caixão
"Encher até derramar"
E com os amigos do Barão
O corpo dele foi velar
Mas já era o sétimo dia
E logo teve que enterrar

"Aquiles o Barão
Que tanta água negou
Depois de morto no caixão
Para sempre se afogou"

Ao voltar do enterro
A Baronesa desesperou
Se encheu de desgosto
Por perder o seu amor
E já era o dia oito
Quando uma missa celebrou

E sua consciência
Acredite já pesou
Então procurou Inocência
E a ela se desculpou
Pediu perdão pelo mal
Que o Barão a causou
E para sua alegria
Inocência a perdoo

A Baronesa perdoada
Aos empregados ordenou
Liberar água do poço
Para com a sede acabar
Aquinea sem sua água
Nunca mais ia ficar
Também passou o seu título
Para a pobre Inocência
Que virou uma Baronesa
Mulher de grande presença
Também de tamanha beleza
Garra, força e decência

Depois do seu comunicado
Deu um grito engasgado
E morreu Aquilina
Com os olhos arregalados

Enterraro Aquilina
A viúva do Barão
Numa cova do seu lado
E eternizou a união

Acabou a tirania
A ruindade acabou
O povo ficou muito triste
Mas logo, logo conformou
Porque estavam livres
De viver o tal terror

Inocência, Baronesa
Casou-se com outro Barão
Senhor de terras distantes
E foi viver no casarão

Seus filhos também casaram
E o sofrimento ficou pra trás
Inocência foi feliz
E seu povo ainda mais

A Baronesa Inocência
Foi para todos o maior bem
Toda a Fazenda Aquinea
Ficou de parabéns

A Fazenda Aquinea
Se tornou uma Cidade
Aquinea do Sul
Terra da fecundidade

Séculos se passaram
E inocência é lembrada
Pela paz em Aquinea
Ela tê-lá restaurado

Aquinea até hoje
É muito boa de se morar
Pra quem quer tranquilidade
Aquinea é o lugar

As pessoas são amigas
O clima é bem legal
Saiba que em Aquinea
Ser feliz é normal
Depois do que aconteceu
Nos séculos que passou
Junto com Barão Aquiles
A tristeza se enterrou

Essa foi a história
De Aquiles Aristeu
"O Barão Tirano"
De Aquinea do Sul

A Fazenda de café
De trigo e azeite
Terra fértil de verdade
Da que mana mel e leite.

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